O maná está na manjedoura

Escrito em 29/12/2024
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O maná está na manjedoura

Todas as festas do Antigo Testamento eram proféticas e se cumpriram em Cristo. O Senhor morreu no exato dia da Páscoa porque Ele era o nosso Cordeiro Pascal. O Espírito Santo veio no exato dia de Pentecostes, e o nascimento de Jesus ocorreu na Festa dos Tabernáculos. Essa foi uma das razões por que a cidade de Belém estava tão cheia.

A outra razão é que o imperador havia convocado a população para recadastramento para fins de imposto, então cada um deveria se alistar na cidade onde nasceu. A essa altura, Maria estava prestes a dar à luz, porque o Espírito Santo havia gerado uma criança no seu ventre. Jo 6.31-33)? Eles viviam em Nazaré, mas tiveram de voltar para Belém, sua cidade natal.

A profecia dizia que o Messias deveria nascer em Belém (Mq 5.2). Deus, então, usou um imperador romano, colocando na mente dele a ideia de fazer o censo, forçando assim José e Maria a voltar para Belém. Maria era descendente do rei Davi por um dos seus filhos chamado Natã (Lc 3.31). José também era descendente de Davi, mas por outro filho, Salomão (Mt 1.6).

Por isso, podemos dizer que, mesmo do ponto de vista natural, o Senhor Jesus tinha direito ao trono de Israel. Naquela época, somente os homens pagavam o imposto, mas José levou Maria consigo provavelmente porque não queria deixá-la sozinha no fim da gravidez. Um fato interesse sobre o nascimento do Senhor Jesus, e que Ele foi a única pessoa que pôde escolher a família na qual nasceria.

Se você tivesse escolha, nunca escolheria ser filho de um casal pobre e nascer numa manjedoura, num estábulo. Isso certamente mostra algo a respeito do nosso Salvador. Deus ama as coisas insignificantes, as coisas que os homens não consideram dignas. Deus escolhe as coisas fracas para confundir os poderosos.

É por isso que, quanto mais humilde você é, mais Deus pode operar em você e através de você. Nos dois primeiros capítulos de Lucas, lemos sobre o nascimento de Jesus, e aqueles a quem os anjos apareceram eram pastores. No tempo de Jesus, ser pastor era uma ocupação desprezada. As pessoas mais importantes queriam ser mercadores ou fazendeiros.

Ser pastor era algo desprezível, por isso normalmente era deixado para os adolescentes. Você deve se lembrar de que Davi era um pastor porque era o mais novo da família. No entanto, a pastores desprezados apareceu uma multidão de anjos. Eles poderiam ter aparecido no palácio de Herodes em Jerusalém, mas, em vez disso, apareceram aos pastores. Deus resolveu enviar os anjos aos pastores com grandes boas novas: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lc 2.14). Os anjos disseram “glória a Deus nas maiores alturas”. Nunca tinha havido glória nas alturas até Cristo vir. E sobre essa paz? Onde está a paz na terra? Creio que esse texto é melhor compreendido na Nova Versão Internacional.

Leia Lucas 2.14 NVI)

Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor.

De todas as pessoas desta cidade, você pode estar certo de que o favor de Deus lhe foi concedido. Por quê? Porque você conhece a Jesus.

Não havia lugar para o Rei

Quando o Senhor veio, o evangelho diz que não havia lugar para Ele na hospedaria (Lc 2.7). Não é que não havia lugar na hospedaria, mas não havia lugar para eles. Alguns estudiosos baseado na Palavra de Deus dizem que a história dessa hospedaria começa lá no livro de Rute, era a casa de Boaz.

De Boaz passou para Obede, este passou para Jessé e depois para Davi. Quando fugia de seu filho Absalão, Davi foi ajudado por um homem chamado Barzilai. Quando Absalão foi morto, Davi decide voltar para Jerusalém e queria que seu amigo fosse com ele.

Davi disse a Barzilai: esta em 2 Sm 19.33-37 ele diz: “Você cuidou de mim todo esse tempo e não vou me esquecer disso.

Agora atravesse o Jordão, venha comigo a Jerusalém e eu cuidarei de você todos os dias da sua vida”

Barzilai, porém, não quis ir, mas mandou seu filho Quimã. Você sabe o que Davi fez por Quimã? O nome Quimã aparece novamente em Jeremias, e lá você encontra a história de homens fugindo para o Egito, mas que primeiro ficaram numa hospedaria ou abrigo.

Leia Jeremias 41.17

Partiram e pararam em Gerute-Quimã, que está perto de Belém, para dali entrarem no Egito.

Literalmente, em hebraico, esse versículo diz: “E eles foram e ficaram nas estalagens de Quimã, que está perto de Belém, para ir e entrar no Egito”.

 Gerute significa “hospedaria”. A expressão “Gerute-Quimã” significa literalmente “lugar para passar a noite”, “acomodação” ou “estalagem”, portanto não se trata de uma casa, mas de um refúgio para caminhantes, um hotel, uma hospedaria. Onde ficava esse alojamento? Em Belém. Estudiosos acreditam que Davi deu sua própria casa a Quimã quando se tornou rei, a casa em que ele cresceu e que pertencia a seu pai, Jessé, que, por sua vez, a herdou de seu pai, Obede, que a herdou de Boaz e Rute. Portanto, acredita-se que Davi cresceu naquela mesma casa. Então, Quimã ficou com esse lugar que era herança de Davi e a transformou numa hospedaria em Belém. Muitos anos depois, veio um homem junto com sua esposa que estava grávida e prestes a dar à luz para esse lugar em Belém.

Essa criança que estava para nascer era a verdadeira herdeira de tudo o que Davi já teve. Essa criança era o Rei vindo para casa, mas não havia lugar para eles na hospedaria em Belém (Lc 2.7). Por causa disso, Ele nasceu num lugar sujo e fedido. Isso é também um símbolo do dia em que Ele nasce em nosso coração, que é como a estrebaria, sujo e malcheiroso, mas Cristo o purifica.

A manjedoura era escavada na pedra, assim como um caixão ou túmulo. Isso mostra a razão do seu nascimento, Ele veio para morrer. Por outro lado, o fato de Ele nascer numa manjedoura, o lugar aonde o rebanho vinha para se alimentar, mostra que Ele veio para ser o nosso alimento, o pão da vida que desceu do céu. Nós somos esse rebanho de ovelhas.

Dois grupos de sete

Chamo sua atenção pois nos três primeiros capítulos de Lucas, onde lemos sobre o nascimento do Senhor, encontramos dois grupos de sete pessoas. Sete pessoas que Deus achou preciosas e sete outras que Deus ignorou. Sete é um número de Deus. Sete são as cores do arco celeste. Toda a harmonia musical é construída com sete notas fundamentais.

Nossa vida segue ciclos de sete anos e somos exortados a descansar um dia entre sete. O primeiro grupo de sete são aqueles que Deus considera preciosos aos seus olhos. O primeiro mencionado é Zacarias e sua esposa Isabel. O nome Zacarias significa “Deus se lembra”, e o de sua esposa Isabel significa “promessa de Deus”. Esse casal deu à luz um filho chamado João, que significa “Deus é gracioso”.

Não é maravilhoso que o Novo Testamento comece com a história de um “Deus que se lembra” (Zacarias) aliançado com a sua “promessa” (Isabel) para trazer a sua graça sobre todo homem? Zacarias era um sacerdote já idoso e, num dia, quando oferecia incenso diante de Deus, o anjo Gabriel lhe apareceu do lado direito do altar.

O anjo lhe disse que a sua oração tinha sido ouvida, então parece que ele orava por um filho. No entanto, quando o anjo diz que sua esposa daria à luz, Zacarias simplesmente não acreditou (Lc 1.8-20). Por causa disso, o anjo disse que ele ficaria mudo até o cumprimento da palavra. Por que ele ficou mudo? Porque nossas palavras de incredulidade podem afetar o processo do milagre de Deus em nossa vida.

Nossa fé ou incredulidade é expressa por nossas palavras. Mas esse mesmo anjo depois apareceu a Maria, que deveria ter 15 ou 16 anos. Ele anunciou que ela teria um filho. Maria perguntou como seria aquilo uma vez que ela era virgem. Ela não duvidou do anjo, ela apenas perguntou como aconteceria.

O anjo explicou que o Espírito Santo viria sobre ela. Diante disso, o que disse Maria?

Leia Lucas 1:38

“Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra”.

Todas as vezes que você ouvir promessas de boas novas em sua vida, responda como Maria:

“Que se cumpra em mim”. Mas alguns são como Zacarias: “Como vou saber que você está falando a verdade? Isso é muito bom para ser verdade”. Além de Zacarias e Isabel, temos João Batista, Maria, José, Simeão e Ana. Esse é o primeiro grupo de sete. O segundo grupo de sete começa com Tibério César, imperador de Roma; Pôncio Pilatos, governador da Judeia; Herodes, tetrarca da Galileia; seu irmão Filipe, tetrarca da região da Itureia e Traconites; Lisânias, tetrarca de Abilene; e os dois sumos sacerdotes Anás e Caifás (Lc 3.1-2). Trinta anos depois, todos eles crucificaram o Senhor da Glória. É interessante que, na lei, era proibido ter dois sumos sacerdotes, isso mostra o quanto Israel havia caído naquele tempo. O primeiro grupo de sete são pessoas que o mundo não reconhece.

Eles não aparecem nos livros de história. Não era gente importante aos olhos do mundo, mas muito preciosos aos olhos de Deus. Até mesmo anjos foram enviados a eles.

Mas, nesse segundo grupo, temos todos os nomes famosos e autoridades deste mundo. Eles estão nos anais da história do Império Romano. Todavia, do ponto de vista de Deus, eles são insignificantes.

Sabe como Deus demonstra isso? Para falar dessas pessoas, Deus usa apenas dois versículos, mas, para falar do primeiro grupo, são gastos 132 versículos. Essa proporção diz tudo. Por que esse primeiro grupo é tão estimado diante de Deus e por que o segundo grupo não é reconhecido por Deus? A resposta é a forma como cada grupo trata o amado Filho de Deus.

O Maná está na manjedoura

Quando o Senhor veio para a terra, Ele era como o Maná que caiu do céu para o povo no deserto.

Leia João 6.31-33

Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer pão do céu. Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá. Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo.

Gostaria de compartilhar cinco aspectos do maná. O primeiro é: onde o maná caiu? No deserto.

O maná veio quando o povo estava murmurando, mas Deus mostrou a sua graça. E o nome desse deserto era Sin, de onde vem a palavra Sinai (Êx 16.1). A palavra “Sin” em hebraico significa “espinho”.

O Senhor Jesus foi crucificado com uma coroa de espinhos. Quando o pecado veio, os espinhos vieram, a maldição veio, a morte se levantou. Mas o maná caiu num lugar de espinhos.

A segunda coisa sobre o maná é que ele caía à noite e era colhido de manhã. Lemos em Êxodo 16.7 que, pela manhã, eles veriam a glória de Deus. Assim, vemos que o maná está associado à glória de Deus.

Quando Cristo veio, os discípulos disseram que viram a sua glória, glória como do unigênito do Pai (Jo 1.14). A terceira coisa é que o maná caía justamente onde o povo estava (Êx 16.13).

Ninguém tinha de sair procurando pelo deserto. Ele está perto de você (Rm 10.8). Eles não tinham de trabalhar para ter o maná, assim como não temos de trabalhar para termos o favor de Deus.

O quarto aspecto é que o maná supria uma necessidade diária. Por isso, o Senhor ensinou a orar pedindo o pão nosso de cada dia. Isso é uma referência ao maná.

Uma vez que você recebe a vida de Cristo, você agora precisa crescer nessa vida, e a forma como crescemos é comendo d’Ele todos os dias. O quinto princípio do maná é que você podia comer dele o quanto quisesse (Êx 16.16). O limite é o quanto cada um podia comer. Você pode querer o maná apenas para os domingos, outros para o dia da Ceia, e há aqueles que só comem o maná no Natal.

Mas o maná está disponível todos os dias para você. O maná caía durante a noite, quando o homem estava dormindo. Quando havia mais trevas, Deus enviou seu Filho.

Primeiro, caía o orvalho; depois aparecia o maná sobre o orvalho (Êx 16.13,14). O orvalho é um símbolo da graça de Deus, do favor imerecido (Pv 19.12). Então, o maná caía onde havia orvalho.

Hoje, o favor imerecido o alcançou e você pode comer do Filho de Deus.