As profecias de Mateus 24
Os sinais da consumação dos séculos
Em nossa ministração anterior, compartilhamos sobre a primeira parte da profecia de Mateus 24, a que foi endereçada aos judeus. A partir do verso 32, temos a segunda parte da profecia dada por Jesus e sua resposta à terceira pergunta dos discípulos a respeito da consumação dos séculos.
Nessa parte, o Senhor usa quatro sinais espirituais para falar do arrebatamento. Vamos ver cada um deles.
1. O sinal da figueira (32 a 36)
A terceira pergunta que os discípulos fizeram a Jesus foi: “Qual será o sinal da consumação dos séculos?” O Senhor mostra que Israel é esse sinal profético.
Leia Jeremias 24.2,5 e 8
Tinha um cesto figos muito bons, como os figos temporãos; mas o outro, ruins, que, de ruins que eram, não se podiam comer.
Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Do modo por que vejo estes bons figos, assim favorecerei os exilados de Judá, que eu enviei deste lugar para a terra dos caldeus.
Como se rejeitam os figos ruins, que, de ruins que são, não se podem comer, assim tratarei a Zedequias, rei de Judá, diz o SENHOR, e a seus príncipes, e ao restante de Jerusalém, tanto aos que ficaram nesta terra como aos que habitam na terra do Egito.
A figueira é um símbolo espiritual de Israel (Jr 24.2,5,8). Anteriormente, o Senhor havia amaldiçoado a figueira que tinha apenas folhas, mas não frutos. A maldição era sobre os judeus, os quais tinham aparência exterior sem realidade (Mt 21.19).
Leia Mateus 21.19
E, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente.
A figueira passou por um longo inverno até 1948, quando então a nação de Israel foi restaurada. O inverno significa o tempo da seca, a época da tribulação. A primavera aponta para o arrebatamento (Ct 2.10-14). O verão significa o reino restaurado, que começará com a vinda de Cristo (Lc 21.29-31).
O Senhor disse que o Templo seria destruído e a nação de Israel seria espalhada por todas as nações.
Leia Lucas 21.24
Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.
Em 1948, a nação de Israel foi restaurada; mas, em 1967, Jerusalém foi reconquistada e feita novamente a capital do povo judeu.
Isso certamente é um sinal de que o tempo dos gentios está acabando. No verso 33 de Mateus 24, o Senhor diz que, quando virmos a figueira dando suas folhas, devemos saber que o fim está próximo, às portas.
A nação de Israel é um sinal para nós da volta do Senhor. Devemos orar por Israel e ficar atentos ao que acontece ali. A restauração de Israel ainda não está completa.
Para que a profecia se cumpra, o Templo ainda precisa ser reconstruído. Será nesse Templo reconstruído que o anticristo colocará a sua imagem para ser adorada. Esse é o abominável da desolação, que dará início à grande tribulação (Mt 24.15).
No verso 34, o Senhor diz que não passaria aquela geração sem que tudo se cumprisse. Por causa disso, muitos acreditam que a profecia de Mateus 24 já se cumpriu. Mas a expressão “esta geração” pode significar que a figueira florescerá durante o período de uma geração, ou seja, 40 anos, segundo o costume judeu.
Particularmente, creio que o Senhor está se referindo à geração que verá a figueira com as folhas brotando, ou seja, a nossa geração. A volta do Senhor não passaria, portanto, dessa geração.
Se for assim, precisamos estar muito atentos a duas datas: 1948, quando a nação de Israel voltou a existir, e 1967, quando Jerusalém foi reconquistada como capital dos judeus.O verso 36 diz que, “a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai”. Evidentemente, devemos lembrar que o Senhor Jesus, na posição de Filho do homem, não sabe, mas hoje Ele foi glorificado.
2. O sinal dos dias de Noé (37 a 39)
Podemos entender o paralelo entre os dias de Noé e os últimos dias da seguinte maneira:
A condição humana será como nos dias de Noé — viviam em função do prazer e do dinheiro.
Como Noé e sua família foram preservados, os santos serão guardados naqueles dias (Ap 12).
Na verdade, Noé passou pelo dilúvio, mas foi guardado pela arca. O dilúvio destruiu a todos, exceto Noé e sua família. Quando Noé entrou na arca, veio o dilúvio. O arrebatamento provavelmente será o fator que desencadeará a grande tribulação. O Senhor disse que, assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Como eram as pessoas nos dias de Noé?
Podemos mencionar pelo menos sete características.
a. Depois do nascimento de Enos, elas passaram a invocar a Jeovah. Isso significa que, antes de Enos, elas adoravam ao Deus criador, mas não a Jeovah. Há uma diferença nisso. Adorar a Jeovah significa adorar o salvador. Hoje, as pessoas não são antiDeus, mas elas são antiCristo.
Não se importam de falar de um criador, mas rejeitam o salvador.
Leia Genesis 4.26
A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do SENHOR.
b. Em Gênesis 4.19-22, se menciona o nome de várias mulheres. O nome delas é muito significativo. Ada significa “ornamento”; Zilá significa “tela” ou “aparência”; e Naamá significa “encanto”. Elas eram belas e frívolas. Veja as mulheres de hoje, o que se gasta com beleza e roupas é algo sem precedentes.
c. Em Gênesis 4, se menciona a edificação de cidades com artistas e músicos. Hoje, 60% da população mundial vive em grandes cidades. Esse é um sinal profético, a explosão de megacidades. É notório que a iniquidade se multiplicou quando o homem passou a habitar em grandes cidades.
d. Antes do dilúvio, havia duas linhagens de homens na terra, os filhos dos homens e os filhos de Deus. No fim, as duas linhagens se misturaram e somente Noé achou graça diante de Deus. Os filhos de Deus, em Gênesis 6, são anjos caídos, e da união com os anjos caídos, surgiu uma nova raça, chamada de nefilins em hebraico. Isso também se cumprirá em nossos dias com a manipulação genética e a clonagem.
e. Gênesis 6.1 diz que a população do mundo começou a se multiplicar, exatamente como tem acontecido hoje. Já somos oito bilhões de pessoas sobre a terra. Ninguém pode negar que esse é um sinal profético.
f. Judas 14 e 15 diz que Enoque profetizou a vinda do Senhor, mas sua pregação foi ignorada pelo mundo. Hoje, temos a mesma situação.
As pessoas do mundo ouvem a pregação do arrebatamento e da volta de Jesus apenas como um folclore evangélico (Jd 1.14-15).
g. Gênesis 6.1-2 diz que os filhos de Deus se uniram às filhas dos homens. Muitos mestres da Palavra concordam que esses filhos de Deus mencionados ali são anjos, portanto isso mostra um tipo de feitiçaria.
Hoje, bruxos e feiticeiros são os heróis de nossos filmes.
O sinal de Noé é para mostrar que, como eram as condições nos dias de Noé, assim será em nossos dias. E, assim como o dilúvio veio subitamente sobre eles, também o Filho do Homem virá repentinamente sobre este mundo brevemente.
3. O arrebatamento antes da vinda (40 a 42)
Leia Mateus 24.40-41
Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra.
De acordo com o contexto, “então” aqui significa naquela hora, naquele momento. Isso mostra que, enquanto as pessoas do mundo estão embriagadas com os prazeres, alguns crentes sóbrios e vigilantes serão tomados.
Os dois homens devem ser irmãos, e as duas mulheres devem ser irmãs no Senhor. Digo isso porque o verso 42 diz que não sabemos a que hora virá o nosso Senhor.
O Senhor não é Senhor dos incrédulos e nem manda incrédulos vigiarem. Esse texto, portanto, se refere a pessoas convertidas. Ser tomado significa ser arrebatado antes da grande tribulação. Esse arrebatamento é um sinal da vinda do Senhor e um sinal para o povo judeu. A questão do arrebatamento é colocada de maneira simples, ambos estarão trabalhando e um será tomado e deixado o outro.
Não precisamos nos tornar monges para sermos arrebatados, podemos trabalhar de maneira normal.
Quando fala dos dias de Noé, o Senhor diz que eles comiam, bebiam e se casavam. Mas, quando fala dos crentes, diz que eles estavam trabalhando. Isso certamente fala de uma atitude diante da vida.O arrebatamento não acontece enquanto os irmãos estão orando, mas enquanto estão trabalhando.
Muitos dizem que a condição para ser arrebatado é apenas ter nascido de novo. No entanto, se a única condição para ser arrebatado é o novo nascimento, então não faz sentido o Senhor mandar vigiar. Vigiar para que se já somos salvos?
Leia Lucas 21.34-36
Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço. Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra. Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem.
Fica evidente que as duas mulheres e os dois homens são salvos, pois o Senhor não mandaria um não convertido vigiar. Os que ficam são também salvos e deverão passar pela grande tribulação, quando serão perseguidos pelo anticristo. O que diferencia os dois irmãos é a questão da maturidade. Os crentes vencedores são aqueles que estão maduros e prontos para serem colhidos.
4. O sinal do pai de família e o ladrão (43 e 44)
Existem quatro elementos nessa parábola: a casa, o pai de família, o ladrão e o ato de roubar. A casa aponta para a obra do crente. Hebreus 3.6 fala da casa, que é o crente. Marcos 13.34 fala da casa do Senhor. E Mateus 7.24 fala como o crente edifica a sua casa.
Se a casa se refere às nossas obras, então naturalmente o dono da família se refere a nós.
O ladrão aqui tipifica o Senhor (leia 1 Ts 5.2; 2 Pe 3.10; Ap 3.3 e 16.15).
Um ladrão comum causa perdas ao dono da casa, mas o Senhor nos dá bênçãos ainda maiores. Um ladrão comum não avisa quando vem roubar, mas o Senhor nos diz antecipadamente que Ele está vindo. O ladrão comum nos defrauda, mas o Senhor nos leva para o trono.
O motivo de o Senhor usar essa parábola é para mostrar que a sua volta no arrebatamento será imprevisível e que por isso mesmo precisamos vigiar.
Leia 1 Tessalonessenses 5.4-10
Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios. Ora, os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam é de noite que se embriagam. Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação; porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele.
O arrebatamento será um sinal para os judeus, mas para os crentes que ficarem será um sinal de que a grande tribulação está para começar.
A vinda do Senhor tem dois aspectos: um oculto e outro às claras. O aspecto oculto é o arrebatamento a respeito do qual a Palavra de Deus diz que será como o ladrão de noite.
Sobre o arrebatamento, não existem muitos sinais, por isso somos exortados a vigiar e orar.
O segundo aspecto, às claras, é a volta do Senhor propriamente dita, que acontecerá depois de uma série de sinais: a vinda do anticristo, a grande tribulação, a marca da besta, o falso profeta, o sol escurecerá e a lua se tornará como sangue.
Quando esses sinais acontecerem, o Senhor virá nas nuvens e todo olho o verá.