As profecias de Mateus 24

Escrito em 01/12/2024
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  As profecias de Mateus 24

Os capítulos 24 e 25 de Mateus tratam de profecias relacionadas aos judeus, à igreja e aos gentios. Fora o livro de Apocalipse, esses dois capítulos trazem as mais significantes profecias para a presente era.

Nos versos 1 e 2, o Senhor profetiza que o Templo de Jerusalém seria destruído.

Essa destruição do Templo e sua futura restauração são dois pontos importantes da profecia bíblica.

O contexto do capítulo

É importante compreendermos o contexto geral do capítulo 24 de Mateus. Primeiramente, no capítulo 21, o Senhor declara que o reino seria tirado dos judeus e dado a outro povo. Ele se refere à igreja dos gentios.

Leia Mateus 21.43

Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos.

No capítulo 22, o Senhor manda que eles se submetam ao poder gentio.

Leia Mateus 22.21

Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

No capítulo 23, o Senhor repreende os fariseus e, no fim, diz que a casa deles ficará deserta. É bem evidente que ali o Senhor está falando do Templo, porém Ele não o chama de Casa de Deus, mas de vossa casa.

Isso significa que a presença de Deus sairia do Templo.

Leia Mateus 23.37-38

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta.

Tudo isso mostra o contexto em que o Senhor diz que o Templo seria destruído e aquilo que haveria de suceder nos séculos que viriam.

Uma parte para os judeus, outra para a igreja

Para compreendermos as profecias de Mateus 24, precisamos entender que uma parte se refere aos judeus e outra parte se refere à igreja. É extremamente importante definir qual parte se relaciona aos judeus e qual se relaciona à igreja. O verso 31 estabelece a linha divisória. Do verso 1 ao 31, tudo se relaciona aos judeus, e do verso 32 até 25 do capítulo 24 se relaciona à igreja.

Essa divisão é baseada em evidências do próprio texto. Vamos ver algumas delas:

Do verso 1 ao 31, tudo é interpretado de forma literal. Por exemplo, inverno no verso 20 é literal, uma vez que é difícil fugir no frio do inverno. O sábado também é literal, mas o verão mencionado no verso 32 deve ser interpretado espiritualmente, pois se refere à vinda do reino, e a figueira é um símbolo de Israel.

No verso 26, o interior da casa é literal, mas a casa mencionada no verso 43 deve ser interpretada espiritualmente. O que diz respeito aos judeus é literal, mas o que se relaciona à igreja é simbólico. Outra evidência desta separação, é que a parte anterior ao verso 31 é cheia de menções judaicas, como lugar santo (v. 15), Judeia (v. 16), sábado (v. 20), mas a parte depois do verso 31 não tem nenhuma restrição de terminologia.

As coisas mencionadas antes do verso 31 são de natureza física; mas; depois do verso 31, tudo tem um aspecto moral. Até o verso 31, o único requerimento é que fuja; mas, depois do verso 31, é preciso vigiar e orar, ações que envolvem responsabilidade. Uma vez que os judeus ainda estão esperando o Messias, os falsos cristos são mencionados antes do verso 31, mas não se menciona nada sobre falsos cristos depois do verso 31, porque é a parte endereçada à igreja. Em resumo, os versos 4 a 31 se relacionam aos judeus, e do verso 32 até o fim se referem à igreja.

As três perguntas dos discípulos

No verso 3 de Mateus 24, os discípulos fazem três perguntas ao Senhor. Então, o capítulo pode ser dividido como uma resposta do Senhor a cada uma dessas três perguntas.

Leia Mateus 24.3

No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.

As três perguntas feitas a Jesus foram:

1. Quando sucederá essas coisas?

2. Qual será o sinal da sua vinda?

3. Qual será o sinal da consumação dos séculos?

As primeiras duas perguntas estão relacionadas com os judeus, e a terceira pergunta se relaciona com a igreja.

Hoje, veremos apenas as duas primeiras perguntas, e a terceira veremos no próximo domingo.

Primeira pergunta: “Quando sucederá estas coisas?”

Os versos 4 a 28 respondem a essa pergunta e ainda não se cumpriram completamente.

a. Virão muitos enganadores (verso 5) No verso 4, o Senhor diz: “Vede que ninguém vos engane!”

Desde a época em que Cristo foi assunto aos céus, muitos têm aparecido se dizendo o Cristo. Houve muitos falsos cristos, mas nenhum fez milagres.

b. Guerra, fome e terremoto (verso 6-7)

As guerras aqui se referem a todas as guerras que ocorreram nesses dois mil anos, mas, nos últimos dias, elas serão aumentadas grandemente.

Elas são tipificadas pelo cavalo vermelho..

O Senhor Jesus falou, em Mateus 24, a respeito dos quatro cavaleiros de Apocalipse 6.2-8, mesmo sem mencioná-los. Primeiro, o Senhor disse: “Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt 24.4 e 5). Esse é o cavaleiro branco, que representa os falsos ensinos (tem arco mas não tem flecha).

Depois, o Senhor acrescentou: “E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim (24.6). Esse é o cavaleiro vermelho, que simboliza a guerra. No verso seguinte, o Senhor disse: “Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares” (v. 7 — versão ARC).

A fome é a ação do terceiro cavaleiro, o preto, que representa a fome e a escassez. Por último, o Senhor menciona a pestilência. As pestes apontam para o cavalo amarelo, que simboliza a pestilência e a morte. Veja que a sequência de Mateus 24 é exatamente a mesma de Apocalipse 6.

c. Perseguição e tribulação (verso 9 a 13)

A perseguição mencionada aqui se refere aos discípulos, que, no princípio, eram todos judeus. Eles foram mortos em todas as nações para onde foram. Mas também se refere à perseguição que os judeus têm sofrido no decorrer dos últimos dois mil anos. Parece que a profecia de ter o amor esfriado deve ser aplicada apenas aos judeus, e não à igreja de hoje.

A perseverança para salvação, mencionada no verso 13, não se refere à salvação do inferno. Refere-se, antes, à salvação da tribulação e da qualificação para o reino. Os versos 10 a 13 certamente mostram a criação do ambiente apropriado para o surgimento do anticristo. Escandalizar, trair e odiar é a consequência da perseguição. Nos dias do anticristo, o maior dos falsos profetas já descritos se levantará (13.11).

d. O evangelho do reino será pregado (verso 14)

A ênfase do evangelho da graça está no perdão dos pecados, na redenção de Deus e na vida eterna; enquanto a ênfase do evangelho do reino está no governo celestial de Deus e no senhorio de Cristo. Existe apenas um evangelho, como afirma Paulo em Gálatas 1.6-8. O que temos “são ênfases distintas dentro do mesmo evangelho”.

O evangelho da graça enfatiza a questão dos pecados e a redenção, enquanto o evangelho do reino enfatiza a soberania do Senhor e o seu senhorio. Parece que esse evangelho será pregado por crentes judeus. Se for assim, isso é uma referência aos 144 mil mencionados em Apocalipse 7. São 12 tribos e 12 para o autor de apocalipse e o número perfeito dos que seguem a Cristo.

De acordo com Apocalipse 3.10, a grande tribulação virá sobre todos os que habitam sobre a terra, portanto é necessário que eles tenham uma oportunidade de escapar dela recebendo o evangelho. O maior sinal da vinda do Senhor é a pregação do evangelho do reino. Até aqui temos o princípio das dores. A grande tribulação acontece a partir do verso 15.

e. A grande tribulação (15 a 22) O abominável da desolação deve se referir a um ídolo (Dt 29.17). Isso vai marcar o início da grande tribulação.

O anticristo vai fazer uma aliança com Israel por sete anos, mas, no meio dos sete anos, ele vai quebrar a aliança, e então virá a grande tribulação (Daniel 9:27)

A grande tribulação termina com a volta do Senhor, no verso 29.

 O anticristo e o falso profeta são descritos em Apocalipse 13.1 a 6 e 13.11 a 15.

A abominação da desolação provavelmente será um ídolo ou a própria imagem do anticristo sendo colocada dentro do Templo. Daí concluímos que o Templo precisa ser reconstruido, porque a grande tribulação começará justamente quando ele for profanado.

Quando a abominação da desolação for colocada no santo lugar, os judeus precisarão fugir, porque haverá grande perseguição.

Nos versos 16 a 22, temos as circunstâncias dessa fuga. Apocalipse 12.17 diz que o anticristo perseguirá os que guardam os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus. Isso se refere a judeus e cristãos que não forem arrebatados.

Essa profecia é endereçada aos judeus. Se fosse para nós, estaríamos esperando pelo anticristo em vez de esperar pelo Senhor.

Em Lucas 4.16-19, quando o Senhor faz a leitura de Isaías 61, Ele para no “ano aceitável do Senhor”. Isso porque o dia da vingança ainda virá.

É maravilhoso que entre uma expressão e outra haja um tempo de dois mil anos.

Leia Isaías 61.1-2

O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus [...].

Creio que o arrebatamento dos crentes vencedores acontecerá antes do verso 15. Mas ainda heverá crentes sobre a terra. No entanto, é preciso esclarecer que os crentes não vão sofrer a grande tribulação, pois esta é a manifestação da ira de Deus, e nós já fomos salvos da ira (Rm 5.9).

Os crentes que estiverem aqui, na verdade, sofrerão a perseguição e a ira do diabo (Ap 12.12).

f. Falsos cristos e falsos profetas (verso 23 a 27)

Os judeus precisarão ser avisados que o Cristo se manifestará nas nuvens do céu. Ninguém deverá acreditar que Ele está no deserto ou no interior da casa.

O verso 24 certamente é uma advertência contra o falso profeta descrito em Apocalipse 13.11-15.

Os cristãos não têm esse problema com falsos cristos, mas os judeus ainda esperam pelo Messias, então eles podem ser enganados pelo anticristo durante a grande tribulação. Eles devem saber que o Messias virá nas nuvens com grande poder e glória.

No entanto, mesmo nós precisamos estar atentos, porque o Senhor menciona quatro vezes o problema dos falsos profetas. Isso indica quão grave será a situação do mundo.

A volta do Senhor, a parusia, não será um evento secreto para os judeus. Como sabemos, a volta do Senhor tem dois aspectos: um oculto e outro às claras. No aspecto oculto, Ele vem como ladrão para arrebatar os vencedores; enquanto no aberto, às claras, Ele volta nas nuvens para salvar os judeus.

O verso 28 é bem misterioso. O cadáver é um corpo sem vida, que certamente simboliza os homens sem a vida de Cristo sobre a terra.

Para Deus, são apenas cadáveres ambulantes, enquanto nós somos o corpo vivo de Cristo. A palavra traduzida como algumas versões “abutre” é “águia” no original grego.

Em Apocalipse, as aves são um símbolo do juízo de Deus sobre a terra, então os abutres aqui devem ter o mesmo significado.Ou seja o juízo vira sobre o homem sem a vida de Deus.

Segunda pergunta: “Qual será o sinal da sua vinda?”

Os versículos 29 a 31 respondem à segunda pergunta dos discípulos: “Quais serão os sinais da segunda vinda?”

a. Sinais no céu (29 a 31)

Depois da tribulação, ainda haverá sinais no céu e só então o Senhor virá. Haverá no céu o sinal do Filho do homem. Não sabemos como será esse sinal, mas será algo inequívoco e sobrenatural anunciando a vinda do Senhor. Esse sinal do sol escurecer e a lua não dar a sua claridade parece que vai acontecer duas vezes, no começo e no fim da grande tribulação.

Joel 2.31 diz claramente que isso acontecerá antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor.

Leia Joel 2.31

O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR.

O mesmo evento também é mencionado em Apocalipse 6, por ocasião do sexto selo. Nós sabemos que a grande tribulação é o conteúdo do sétimo selo.

Leia Apocalipse 6.12-17

Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar. Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?

b. Logo em seguida à tribulação (29)

O verso 29 diz que a volta do Senhor será depois da tribulação daqueles dias.

c. Jerusalém será pisada pelos gentios (Lc 21.20-24)

A passagem de Lucas 21.20-24 é uma passagem paralela e parece-nos que um sinal já se cumpriu, ou seja, o sinal do tempo de os gentios pisarem Jerusalém.

Leia Lucas 21.24

Até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.

Terceira pergunta: “Qual será o sinal da consumação dos séculos?”

Vamos deixar essa terceira pergunta para o próximo domingo. Não fique de fora.